Domingo, 9 de Março de 2008

Grande Messias...

publicado por Bloco Grandola às 22:32
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

5 HISTÓRIAS EXEMPLARES

1. AUTOR A VER PASSAR OS COMBOIOS

 

Um dia à tarde, Almada Negreiros sentou-se num banco de jardim. O jardim era perto do Cais do Sodré. Durante o tempo em que esteve sentado no banco, passaram vários comboios. Uns iam para Cascais. Outros vinham para o Cais do Sodré. Tanto nuns como noutros viajavam pessoas. Talvez mais umas nuns do que algumas noutros. Em todo o caso, isso é irrelevante. Almada Negreiros estava a ver passar os comboios. Aqui está um bom exemplo de um autor a ver passar os comboios.

 

2. AUTOR A VER PASSAR NAVIOS

 

À Estação Fluvial de Belém chegam os barcos que vêm da Trafaria mas também os que vão para a Trafaria. Alguns fazem escala em Porto Brandão. Outros não. Fernando Pessoa sentou-se num banco à beira rio e ficou a ver navios. Era um autor a ver navios.

 

3. AUTOR ANÓNIMO A VER PASSAR ELÉCTRICOS E UMA REFERÊNCIA A FROEBEL

 

Pela manhã cedo, num belo dia de Verão, A. (abreviatura de Anónimo) sentou-se na esplanada do Jardim da Estrela. Pediu um café e um copo de água. Desdobrou o jornal e pôs-se a ler as notícias. Para o lado da Basílica, lá ao fundo, através dos portões, viam-se os eléctricos a passar. Uns subiam para Campolide. Outros desciam para o lado de S.Bento. Para o lado de cima, via-se a casa do Jardim de Infância construída segundo o modelo de Froebel, em mil oitocentos e oitenta e qualquer coisa. O nosso autor era anónimo mas sabias uns rudimentos de história da pedagogia infantil. Ah! E via passar os eléctricos também.

 

4. A MORTE DO AUTOR

 

Um autor atravessou a rua com o semáforo para peões vermelho. Veio um carro em grande velocidade e matou-o. Não escapou com vida. Foi a morte do Autor.

  

5. TRÊS AUTORES E UM REVISOR

 

Ricouer, Jauss e Kristeva apanharam o comboio na Gare de L’Est, em Paris. Cada um sentou-se em seu lugar. Em carruagens distintas. Em lugares diferentes. Provavelmente nem foi no mesmo dia. Nem à mesma hora. Ainda menos com o mesmo destino. A certa altura, surge o revisor. Na verdade, em três momentos diferentes. Quando chega à frente de cada um deles, pede-lhes o bilhete. A bem dizer, os três bilhetes. Picou os bilhetes e seguiu o seu caminho. Neste dia, não houve narrativa nem autor. Apenas uma viagem de comboio. E um revisor a fazer o seu trabalho.

sinto-me:
publicado por Artur Calembur às 17:01
editado por Bloco Grandola em 06/03/2008 às 00:46
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

As palavras

 

 

As palavras são um mero acessório na comunicação, Artur e induzem muitas vezes em erro. Mais vale uma boa proxémia na mão do que duas prosódias no ar. Uma palavra pode servir para muita coisa, inclusivé para nos sentarmos em cima dela, caso esteja petrificada à maneira clássica... o godo não tem nada que ver com isto, o que dá processo além do Kafka é o plágio mesmo. Desporto que toda a gente pratica mais ou menos, porque tudo já foi dito. Mas existem variações, como a paródia, a ironia, a alegoria, ahhhh a alegoria dos sentidos jorrando ambrósia e mel na espuma dos dias...será isto um paroxismo ou pura alucinação?

Palavras e pensamento que malvadeza! Gramáticas implícitas... romances compadres que nada tem que ver com o romance na sua forma original, referes-te ao adeus ao autor? Choras a morte do autor, que se vai deixando a sua obra nas mãos do fim da tarde? Oh Artur... não  há calembur que nos valha no eriçado das antenas de televisão espalhadas por esta cidade, nem a pose nem a idade, nem o tempo corruptor, nem astúcia que nos redima!

As palavras são como bafos de uma grande incineradora de betão, espalham cinza e pó pelos capotes, fazem com que os homens percam a cabeça e tanto que dela precisam para colocar os óculos....

Os óculos ficam sempre muito bem na cara de um professor... mas educação nunca foi escola nem vice-versa, aliás, estou convencida de que esse é mais um dos mitos urbanos.

Artur, não quero dormir, sei que há gente que dorme 4 horas por noite e pensam muito... tu não lês, eu não penso, mas gostaria de pensar e escrever sentada na beira de um precipício, acho que daria mais estilo ao romance, fosse compadre ou primo. sabes, querido, a literatura dá fome... o que são as palavras Artur?

Algo que só ouvimos se voltarmos atrás no tempo e nessa altura é sempre tarde demais... As palavras não servem para nada!

 

"
publicado por Bloco Grandola às 21:52
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Para Começar...

O que são as palavras, Teogonia Maria? Para que servem? Parece que, ao que dizem, não vemos o mundo sem elas mas, ao mesmo tempo, veremos realmente o mundo como ele é através das palavras? As palavras que constroem as coisas ou as palavras que designam as coisas que têm existência própria. É como nós, as pessoas. Será? Nominalismo, Realismo, Idade Média e Guilherme D’Ockham. O que foi isto? Porque irromperam estas palavras no meu pensamento? Tê-las-ei ouvido apenas? Serão leituras antigas das quais já não tenho recordação senão esta flutuação aleatória na memória. Memória, pensamento. Bolas, Teogonia Maria! Quanto mais escrevo mais penso e quanto mais penso mais me embrulho e tropeço nas palavras. A náusea passeando o adeus pela brisa da tarde. Hum...cheira-me a plágio. Se for plágio só pode ser a partir de algum título exposto numa qualquer montra de livraria. Porque eu não tenho grande cabeça para ler, quando muito, ainda faço uma incursão no índice dos livros. Da bibliografia também dá jeito fixar alguns nomes. Plágio ou Pelágio. O rei godo. Seria gordo também? Das Astúrias ou das Astúcias? Mas lá que está ligado à reconquista cristã, está. Palavras e pensamento. Ah! Vigotsky! Pois e então? Então que construo o pensamento, vou descobrindo o que penso, escrevendo. Bem, isso é mesmo muito vigotskiano! Qual será a tua zona de desenvolvimento próximo? Isso é que seria o máximo, se conseguisses definir! Sei, porque ouvi dizer, que isso é mesmo um must vigotskiano. Mas, não, não sei explicar. Da linguagem do futebol, sei que se fala da margem de progressão existente, quando se referem a jovens futebolistas talentosos. Será o mesmo? Ora, se calhar estou a misturar coisas que não devo. O que tem a ver a formação dos jovens futebolistas com o Vigotsy? Se fosse educação e escola, tinha, não é? E ainda há o sentido ou o significado das palavras. Não sei. Sinto-me um bocado perdido e confuso. Fartei-me de escrever e usar palavras mas confesso que não estou a perceber o que penso sobre o assunto. Qual assunto? Teogonia Maria, mulher, ajuda-me. Se calhar, o melhor é irmo-nos deitar. Se sonharmos...qual é o autor que fala dos sonhos?
 
Artur Calembur
sinto-me:
publicado por Artur Calembur às 22:21
editado por Bloco Grandola em 06/03/2008 às 00:45
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